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O design voltou a falar de matéria, gesto e vida e isso muda a forma como pensamos a casa

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Todos os anos, em setembro, Paris se torna por alguns dias o centro de gravidade do design mundial. Em 2026, a Maison&Objet acontece de 10 a 14 de setembro, no Parc des Expositions de Villepinte, reunindo cerca de 1.700 marcas de 49 países, muitas delas expondo exclusivamente ali. Em paralelo, a Paris Design Week ocupa a cidade de 10 a 19 de setembro, levando o debate sobre design para fora dos pavilhões: showrooms, ateliês, galerias, endereços que normalmente não abrem as portas para o público.

A Cozin-Air não está fisicamente em Paris. E, ainda assim, esse é um dos eventos que mais vale a pena acompanhar de perto não pelas novidades em si, mas pelo que elas revelam sobre a direção que o design de alto padrão está tomando, e sobre o que isso significa para quem projeta uma cozinha hoje pensando nos próximos vinte anos, não nos próximos dois.

Pulse in Motion: um nome que descreve um sintoma maior

A edição de setembro de 2026 da Maison&Objet leva o conceito Pulse in Motion, desenvolvido em parceria com a agência de tendências NellyRodi e com o estúdio Masquespacio como embaixador criativo. O nome não é apenas uma assinatura de marketing ele descreve algo que já vinha se desenhando há algumas temporadas: depois de anos em que o alto padrão flertou com a estética hiperperfeita, homogênea, quase industrial em sua limpeza visual, a conversa muda de eixo. Fala-se agora de matéria, de gesto, de vida de ambientes que carregam marca de uso, de mão, de tempo, em vez de esconder qualquer sinal de que ali existe uma rotina real acontecendo.

Isso aparece de forma muito concreta na própria arquitetura da feira, dividida em sete setores. Entre eles, Decor & Design e Fine Craft métiers d'art, dedicado inteiramente ao savoir-faire artesanal. E, especialmente relevante para quem pensa cozinha, o setor Cook & Share, que a organização do evento coloca lado a lado com os demais, e não como apêndice de "casa". A escolha de dar a esse universo um espaço próprio diz muito: cozinhar e receber deixaram de ser apenas função, e passaram a ser linguagem um jeito de comunicar quem mora ali.

Do polimento total ao gesto: por que o excesso de perfeição cansou

Por um bom tempo, "alto padrão" foi quase sinônimo de superfície impecável: pedra sem veios muito aparentes, metal sem nenhuma marca de uso, tudo nivelado, tudo em silêncio visual. É um design tecnicamente correto mas raramente memorável, porque não conta nada sobre quem vive ali. O que os movimentos observados em Paris sugerem é um cansaço saudável dessa estética de vitrine: cresce o interesse por texturas táteis, por peças autorais com assinatura reconhecível, por objetos que carregam uma história de origem, de material, de quem os fez.

Não se trata de abrir mão de acabamento de qualidade é o oposto. Trata-se de exigir qualidade com caráter. Uma superfície escovada que reage à luz de um jeito diferente a cada hora do dia. Um puxador desenhado, e não apenas escolhido de catálogo. Um equipamento que assume sua função com honestidade construtiva, sem esconder o metal, o vidro ou o mecanismo atrás de uma fachada genérica que poderia ser de qualquer marca.

É esse raciocínio que explica, por exemplo, por que uma linha como a Anni 50 da Smeg com seu refrigerador retrô de linhas arredondadas e cor sólida segue relevante mesmo décadas depois de lançada: ela nunca tentou ser neutra. Ou por que um forno chamado literalmente Artigiano, da Elanto, comunica pelo próprio nome o valor que está sendo vendido: a ideia de manufatura, não de linha de produção anônima.

A cozinha como espaço de convivência, não só de preparo

Esse deslocamento tem um efeito direto sobre como se projeta a cozinha. Ela deixa de ser tratada como um cômodo técnico, escondido atrás de portas, e passa a ser desenhada como o centro social da casa o lugar onde se recebe, se conversa, se cozinha em grupo enquanto a refeição acontece. É exatamente esse o território do setor Cook & Share dentro da Maison&Objet: equipamentos pensados não apenas para funcionar bem, mas para fazer parte da experiência de estar em casa, à vista de quem está à mesa.

Na prática, isso muda decisões de projeto que antes pareciam puramente técnicas. Uma coifa deixa de ser um item que se busca esconder no forro e passa a ser peça central como as versões de ilha em cilindro de inox da Crissair, desenhadas para ficar suspensas no centro do ambiente, quase como uma escultura funcional. Um cooktop deixa de ser apenas uma superfície de trabalho e passa a ser o ponto de encontro em torno do qual a ilha é organizada. É a mesma lógica que a Franke, com sua tradição em materialidade e cubas esculpidas, vem trabalhando há décadas: o equipamento como protagonista visual, não como coadjuvante escondido no balcão.

Referência inspira. Curadoria transforma referência em identidade.

Acompanhar o que acontece em Paris não significa importar tendências para dentro de casa como quem copia uma vitrine. O valor real de um evento como a Maison&Objet está em ampliar repertório mostrar possibilidades de material, acabamento e gesto que talvez não estivessem no radar de quem está projetando uma cozinha agora para que, a partir daí, cada projeto faça escolhas mais pessoais e mais permanentes, em vez de escolhas óbvias que qualquer um faria.

É esse o papel que a Cozin-Air assume há mais de 30 anos no mercado: não replicar o que desfila nos pavilhões de Villepinte, mas usar esse repertório internacional como ponto de partida para uma curadoria própria equipamentos selecionados pela qualidade do material, pela honestidade do acabamento e pela forma como se comportam ao longo dos anos de uso, não apenas no dia da instalação. É a mesma lógica que orienta a seleção de marcas como Smeg, Franke, Elanto, Debacco e Crissair dentro do portfólio da empresa: peças que resistem à passagem das tendências porque nasceram de um projeto de design consistente, não de um lançamento sazonal.

Vale, inclusive, a leitura complementar sobre o que avaliar em um eletrodoméstico premium além do design e da marca um raciocínio que caminha lado a lado com o que Paris está sinalizando este ano: estética com propósito, não estética descartável.

Design que dura não é aquele que segue a tendência da vez. É aquele que nasce de uma escolha consciente, feita com repertório amplo e que, por isso mesmo, permanece atual muito depois de a feira ter fechado as portas. Se você está planejando uma cozinha com esse tipo de permanência em mente, a equipe da Cozin-Air pode ajudar a traduzir esse repertório em um projeto sob medida, com a curadoria de quem acompanha o setor de perto e você pode ver essas peças de perto em um dos showrooms da Cozin-Air em Goiânia ou Brasília.

 

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